Germânia: o mais antigo clube

27/08/2011

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190 anos. A Sociedade Germânia, fundada antes mesmo da independência, em 1821, por um grupo de alemães que se estabelecera no Rio de Janeiro, é o mais antigo clube da cidade e provavelmente do país.

 O impulso era compreensível. Os alemães, desde o século XVIII, estavam acostumados a se reunir em associações recreativas, enquanto no Brasil das primeiras décadas do XIX ainda era comum a diversão em casa, em família. A agremiação, assim, dava conta do desejo de um grupo de estrangeiros, estabelecendo laços de identidade e oportunidades de sociabilidade.

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Atual sede do Germânia. Fonte: sítio do clube (http://www.sociedadegermania.com.br/)

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Sua sede atual localiza-se no bairro da Gávea, numa antiga residência de Epitácio Pessoa Filho, mas foi longa sua trajetória pela cidade, expressão das diversas mudanças pelas quais passou e de distintos momentos de nossa história.

Um passeio pelas sedes do clube é possível graças ao incrível trabalho de Roberto Tumminelli no fotolog Carioca da Gema.

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Rua dos Ourives, entre a Rua da Alfandega e Rua do Hospício. Foto de Augusto Malta

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O clube foi fundado em um restaurante localizado na antiga Rua dos Ourives (atual Miguel Couto). No decorrer do século XIX, as sedes foram instaladas na Rua Fresca (1841), na Rua da Alfândega (1891), até chegar em 1920 à Praia do Flamengo.

Fiquei com a impressão de que a imagem abaixo seria da Rua da Alfândega, mas Tumminelli informa que se trata da primeira sede localizada na Praia do Flamengo.

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O clube cada vez mais iria se afirmar como um espaço de um estrato das elites cariocas. Vejamos a beleza da segunda sede do clube na Praia do Flamengo, na época um dos lugares mais fashions da cidade.

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Essa sede entrou para a história por ter sido invadida por estudantes, em 1942, em função dos conflitos ocasionados pela 2ª Grande Guerra. Criada há menos de 5 anos, a União Nacional dos Estudantes desencadeou uma campanha contra o fascismo e exigia que o governo confiscasse os bens de alemães. Nesse contexto, ocupou o prédio onde viveu seus grandes momentos, até ser destruído em 1964.

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À esquerda, sede do Germânia ocupada pelos estudantes/1943. À direita, sede da Une incendiada em 1964. Disponível em http://fotolog.terra.com.br/carioca_da_gema_2:195 e http://www.rioquepassou.com.br/2005/04/01/incendio-do-predio-da-une-1964/

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Com a perda da sede da Praia do Flamengo, depois de mais de 10 anos, o clube transfere-se, em 1953, para terrenos na Rua Real Grandeza (onde hoje se localiza o prédio de Furnas), em Botafogo, e muda de nome: Beira Mar.

ATENÇÃO: RECEBI A MENSAGEM ABAIXO, DE AUTORIA DE CARLOS VAN DEN BOSCH, A QUEM AGRADEÇO PELA GENEROSA INFORMAÇÃO

“O Clube Beira Mar já existia há anos no casarão onde hj está Furnas, o Germânia, que estava sem sede social desde a invasão dos estudantes, migrou para o Beira Mar quando recebeu a indenização pela invasão. Pelo menos é o que meus pais me diziam, eles eram sócios do Beira Mar”

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Sede do Beira Mar. Disponível em http://fotolog.terra.com.br/carioca_da_gema_2:198

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Por lá o Germânia ficou até a transferência para a atual sede. Enquanto isso, o antigo prédio da UNE foi definitivamente destruído na década de 1980, dando lugar a um estacionamento. Só recentemente o governo federal devolveu o terreno para a entidade, comprometendo-se a construir um novo prédio, ainda uma promessa.

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No próximo post – Os Estádios do Rio

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“É o novo ground”: o Clube de Regatas do Flamengo

25/06/2011

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Em nosso último post, apresentamos uma foto do campo do Paysandu Cricket Club, localizado nas Laranjeiras, na ocasião ocupado pelo Clube de Regatas do Flamengo, que por lá realizava seus jogos de futebol. Independentemente das preferências clubísticas, é essa uma das mais importantes agremiações da cidade.

Não passou despercebida a importância do clube a João do Rio, um dos literatos que melhor expressou o conjunto de mudanças que marcou o Rio de Janeiro na transição dos séculos XIX e XX. Em sua crônica A hora do football, publicada no livro Pall-Mall Rio, o inverno carioca de 1916 (lançado em 1917), o escritor observa a redução das resistências para com os esportes, que progressivamente tornavam-se uma prática valorizada pelos “modernos”:

“Fazer sport há vinte anos ainda era para o Rio uma extravagância. As mães punham as mãos na cabeça, quando um dos meninos arranjava um altere. Estava perdido. Rapaz sem um pince-nez, sem discutir literatura dos outros, sem cursar as academias – era um homem estragado. E o Club de Regatas do Flamengo foi o núcleo de onde irradiou a avassaladora paixão pelos sports”.

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João do Rio

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Na visão de João do Rio, “O Club de Regatas do Flamengo tem, há vinte anos pelo menos, uma dívida a cobrar dos cariocas. Dali partiu a formação das novas gerações, a glorificação do exercício físico para a saúde do corpo e a saúde da alma”. Fundado como Grupo de Regatas, em 1895, seus associados eram principalmente jovens pertencentes aos setores urbanos das elites, entusiastas e praticantes do remo, habituées dos banhos de mar.

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Segunda sede do Flamengo, construída em 1920, no mesmo local onde fora fundado o Grupo de Regatas. Disponível em: http://fotolog.terra.com.br/luizd:990

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Conta Mário Filho, de forma romanceada, que por ocasião da criação do Flamengo, observando o entusiasmo dos jovens envolvidos, o padre Nattuzi procurou o Dr. Lourenço Cunha, pai de José Agostinho (um dos fundadores), lhe perguntando se não ficava preocupado com tamanho interesse, pois a fama das regatas “não era lá das melhores”. Cunha teria respondido que acreditava no esporte como uma escola de formação e disciplina, uma prática saudável, por isso não se importava.

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O fato é que depois de superada certa sensação de estranhamento ou desprezo por parte da população local, a sede do Flamengo, localizada na Praia do Flamengo, 22 (hoje número 66), tornou-se um centro de encontros, um local muito procurado por um setor da juventude que adotava novos parâmetros de sociabilidade e de exposição corporal: “Rapazes discutiam muque em toda parte. Pela cidade, jovens, outrora raquíticos e balofos, ostentavam largos peitorais e a cinta fina e a perna nervosa e a musculatura herculana dos braços. Era o delírio do rowing, era a paixão dos sports” (João do Rio).

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A segunda sede foi destruída em 1979. No local hoje se encontra um prédio de escritórios. Foto disponível em: http://fotolog.terra.com.br/luizd:896

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A praia do Flamengo, na verdade, transformou-se num dos lugares mais fashions da cidade. O Hotel Central, um dos primeiros balneários da cidade, oferecia boas condições para os que desejavam com conforto se deliciar com os banhos de mar (futuramente dedicaremos a esse hotel um post). Regatas eram disputadas nas águas da Baía de Guanabara.

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Regata na Praia do Flamengo, em frente à sede do Clube, década de 1920. Disponível em http://fotolog.terra.com.br/nder:1557

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Devemos também lembrar que o clube estava muito próximo do Palácio do Catete, chegando a compartilhar com a Presidência da República o cais que se localizava em frente à propriedade (podemos vê-lo na imagem abaixo).

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Detalhe de um postal da década de 1910, disponível no fotolog “Foi um Rio que Passou”, de André Decourt: http://www.rioquepassou.com.br/2004/03/21/1590/

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O futebol só entra na história do Clube em 1911, com a chegada de um grupo de jogadores dissidentes do Fluminense. Os primeiros treinos foram realizados em um campo aberto localizado na Glória, nas redondezas da sede.

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Campo onde o primeiro time de futebol do Flamengo treinava. Glória, 1911. Ao fundo o centro da cidade bastante iluminado. Acervo de Francisco Patrício. Disponível em http://www.rioquepassou.com.br/2005/12/20/gloria-e-centro-15-de-novembro-de-1911/

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Poucos anos depois a equipe de futebol passou a realizar seus jogos no antigo campo do Paysandu. A acreditar em João do Rio, foi uma festa a primeira partida do clube nessas dependências:

“O campo do Flamengo é enorme. Da arquibancada eu via o outro lado, o das gerais, apinhado de gente, a gritar, a mover-se, a sacudir os chapéus. Essa gente subia para a esquerda, pedreira acima, enegrecendo a rocha viva. Embaixo a mesma massa compacta. E a arquibancada, o lugar dos patrícios no circo romano era uma colossal, formidável corbelha de belezas vivas, de meninas que pareciam querer atirar-se e gritavam o nome dos jogadores, de senhoras pálidas de entusiasmo, entre cavalheiros como tontos de perfume e também de entusiasmo”.

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Primeiro time de futebol do Flamengo. Em pé: Lawrence, Amarante, Píndaro, Baena, Nery e Gallo. Sentados: Curiol, Arnaldo, Zé Pedro, Miguel e Borgerth. Disponível em http://www.maisfla.com/noticias/do-inicio-do-futebol-ao-fim-do-amadorismo/

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A despeito da importância de sua ligação com o esporte náutico, o Flamengo entraria mesmo para a história pela popularidade que angariaria no futebol.

Tinha mesma razão o grande João do Rio: “Não! Há de fato uma coisa séria para o carioca: o football!”.

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Na década de 1930, o Flamengo começa a se transferir para a Gávea, onde construiria um estádio e a atual sede. Na década de 1950, contudo, construiu uma sede no Morro da Viúva. Esse prédio, que hoje se encontra em condições não totalmente adequadas de preservação, está sendo negociado com o mega-empresário Eike Batista para ser transformado em um hotel de luxo.

Será que ele vai comprar a cidade toda?

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Não foi exatamente a minha preferência clubística que me levou a preparar esse post (inclusive futuramente serão dedicados posts a outros importantes clubes da cidade). De qualquer forma, a minha relação com o Flamengo é algo que marca profundamente minha memória e minha história. Já escrevi algumas coisas sobre isso, disponíveis no blog A Lenda, do amigo Rafael Fortes, e no sítio do Sport, laboratório que coordeno.

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Na próxima semana, o green! O golfe no Rio de Janeiro.

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O Cricket e o Hotel Internacional

18/06/2011

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Hoje temos um post duplo com o de Valéria Guimarães no História(s) do Sport.

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Não é equivocado dizer que o esporte foi um dos primeiros e mais notáveis produtos de exportação dos ingleses: tendo se sistematizado da forma que hoje conhecemos na Inglaterra da transição dos séculos XVIII e XIX, foi a bordo dos navios da marinha britânica que a prática inicialmente foi se espraiando pelo planeta, em cada localidade sendo apreendida com peculiaridades, dialogando com a cultura local.

Por aqui também as primeiras iniciativas esportivas foram organizadas por ingleses, que no Rio de Janeiro se estabeleceram por razões comerciais e políticas, notadamente após a chegada da Corte portuguesa em 1808.

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Chegada da Família Real Portuguesa ao Rio de Janeiro em 7 de março de 1808 (Geoffrey Hunt, óleo sobre tela, 60 X 91,4 cm). Disponível em http://www.arqnet.pt/portal/imagemsemanal/novembro0203.html. A Armada Britânica deu suporte às naus portuguesas na travessia do Atlântico.
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A colônia britânica instalada no Rio de Janeiro organizava constantemente piqueniques, bailes, passeios e “jogos ingleses”. Alguns desses eventos são registrados no diário de Graham Eden Hamond, que na cidade esteve em 1825, comandando o navio que trouxe Charles Stuart, embaixador responsável por negociar o reconhecimento português da Independência brasileira, e entre 1834 e 1838, como almirante em chefe da esquadra do Atlântico Sul.

Nas suas anotações de 8 de setembro de 1836, Graham informa que foi convidado para um jogo de cricket em São Cristóvão: “Há grande interesse no jogo e lamentarei não ter ido”.

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Por aqui o cricket não chegou a se popularizar e ser muito apreciado, mas houve muitas agremiações de ingleses que à modalidade se dedicaram.

A agremiação pioneira parece ter sido fundada em 1864, no bairro de São Cristovão, o British Cricket Club, seguindo-se vários clubes de curta duração: o Artisan Amateurs Cricket Club, o Rio British Cricket Club, o Anglo Brazilian Cricket Club, o British and American Club.

Maior destaque merece o Rio Cricket Club, fundado em 1872, no bairro de Botafogo, que deu origem a dois clubes, ambos ativos até os dias de hoje. Um deles é o Rio Cricket e Associação Athlética, que se instalou em Niterói, em 1897 (uma curiosidade: foi nessa agremiação que foi disputado, em 1901, aquele que entrou para a memória popular como o primeiro jogo de futebol de um equipe carioca).

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Escudo e “ground” do Rio Cricket Club em 1908. Disponível em: http://reliquiasdofutebol.blogspot.com

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O outro clube é o Paysandu Cricket Club, atualmente Paissandu Atlético Clube, que carrega em sua denominação o nome da rua onde sua primeira sede foi instalada, em 1880, de frente para o Palácio Guanabara, próxima do local no qual futuramente seria construído o Fluminense Futebol Clube.

Vemos abaixo uma imagem (dos anos 1920) do campo do Paissandu já ocupado pelo Clube de Regatas do Flamengo (foto de autoria de William Nelson Huggins, disponível no fotolog Carioca da Gema, de Tumminelli)

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Esse campo ocupava uma vasta extensão no bairro de Laranjeiras (no qual moravam muitos membros das elites cariocas, mas que também possuía grande população operária, especialmente trabalhadores da Fábrica Aliança). No mapa abaixo (panorama atual retirado do Google Maps), o que está em vermelho é aproximadamente a sede do Paissandu; o campo à esquerda é o atual estádio do Fluminense.

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Curiosamente, um hotel da cidade oferecia um campo adequado para os hóspedes jogarem o cricket: o Hotel Internacional, localizado na antiga Rua do Aqueduto, atual Almirante Alexandrino, bairro de Santa Tereza, construído nos anos finais do século XIX para se diferenciar de outros estabelecimentos localizados no centro da cidade, mais baratos e menos confortáveis.

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Disponível no fotolog “Só Rio”: http://www.fotolog.com.br/sorio/67457709

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Chegava-se ao Hotel com facilidade, aproveitando a linha de bonde que partia do Largo da Carioca. Suas instalações eram cercadas de exuberante natureza. Eram também oferecidas instalações para o tênis e para o croquete. Foi um dos mais renomados hotéis da cidade até sua extinção na década de 1930.

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O cricket é um esporte fascinante, um dos primeiros a se estruturar na Grã-Bretanha, um dos que mais se difundiu pelos territórios nos quais os britânicos tiveram alguma ascendência. Como dissemos, por aqui a prática não se espraiou nem se tornou popular, mas em muitos países ocupa papel protagonista.

Para mais informações, ver os posts dos amigos Maurício e Jorge. Para informações sobre o críquete nacional, ver http://www.brasilcricket.org/

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Se o cricket não se popularizou, um jogo nele inspirado foi muito praticado pela molecada nas ruas do Rio de Janeiro: o “taco”, jogado com duas latas (na maioria das vezes de óleo, recolhidas no lixo, o que por vezes significava corte das mãos nas abas abertas; em alguns casos usava-se uma “casinha” de madeira), uma bola de frescobol ou tênis e duas madeiras velhas ou cabos de vassoura.

O ponto era marcado quando a dupla “cruzava” os tacos, algo possível quando se “zunia” a bola. O auge da humilhação era cruzar os tacos imitando o movimento de um cavalo de pau.

Uma explicação sobre uma das formas de jogar taco pode ser encontrada no vídeo abaixo

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No próximo post, “foi João do Rio que disse: é o novo ground da cidade!”: O Clube de Regatas do Flamengo.


O Quadrado da Urca

11/06/2011

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Uma das mais valorizadas e mais antigas regiões do Rio de Janeiro guarda uma parte importante e curiosa da história esportiva da cidade: a Urca.

Naquela região, numa pequena praia entre o Morro Cara de Cão e o Pão de Açúcar, Estácio de Sá estabeleceu, em 1565, o primeiro núcleo populacional da cidade, em 1567 transferido para a região central, para o Morro do Castelo, por questões de defesa e necessidades de expansão.

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Morro do Castelo visto do Outeiro da Glória. Disponível em http://www.flickr.com/photos/11124678@N02/2042462343/

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É somente a partir da década de 1870 que surgem as primeiras iniciativas mais efetivas de na região construir um novo bairro. Por ocasião da Exposição Nacional de 1908, a localidade conheceu um certo progresso, com a instalação de um cais e uma ponte de acesso, como podemos ver na foto abaixo, do acervo de George Ermakoff, disponível no fotolog “Coisa Lúdica” (http://fotolog.terra.com.br/cartepostale:106).

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Na virada das décadas de 1910/1920, a Sociedade Anônima Empresa Urca deu forma ao bairro que hoje conhecemos. Foi nessa época que foi inaugurado o “Quadrado da Urca”, que existe até hoje, funcionando como uma pequena marina, como podemos ver nas fotos abaixo.

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Quadrado da Urca. Disponível em http://fotolog.terra.com.br/rafael_netto:16

Quadrado da Urca, à esquerda; Iate Clube, à direita. Disponível em: http://www.almacarioca.com.br/angemon/index.htm

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O que nem todos sabem é que o Quadrado fora previsto, no contrato de concessão para a construção do bairro, para ser uma piscina com toda infraestrutura necessária (inclusive arquibancadas) para abrigar as competições aquáticas dos Jogos Sul-Americanos organizados, junto com a Exposição Internacional de 1922, para comemorar o centenário da independência do país.

Como vimos em post anterior, as primeiras provas de natação da cidade foram disputadas nas águas da Baía de Guanabara, nas praias da região central. Isso tornava a prática muito suscetível às condições do mar e do tempo, o que contribuía para o forjar de uma representação heróica dos nadadores. Um dos exemplos foi Abrahão Saliture, um dos mais incríveis atletas brasileiros de todos os tempos.

Lembremos o que foi talvez uma dessas primeiras representações no país, encontrada em um dos grandes romances de nossa história: Dom Casmurro, de Machado de Assis.

– O mar amanhã está de desafiar a gente, disse-me a voz de Escobar, ao pé de mim.
– Você entra no mar amanhã? (Bentinho)
– Tenho entrado com mares maiores, muito maiores. Você não imagina o que é um bom mar em hora bravia. É preciso nadar bem, como eu, e ter estes pulmões disse ele batendo no peito, e estes braços; apalpa (Escobar).
Apalpei-lhe os braços, como se fossem os de Sancha. Custa-me esta confissão, mas não posso suprimi-la; era jarretar a verdade. Nem só os apalpei com essa idéia, mas ainda senti outra cousa, achei-os mais grossos e fortes que os meus, e tive-lhes inveja; acresce que sabiam nadar.
 
 

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O surgimento das piscinas de um lado reduziu os “atos de heroísmo” por ocasião das provas de natação; de outro lado, contribuiu para a popularização da prática, tanto em função do aumento do afluxo de público quanto devido aos melhores resultados obtidos nas competições, que se tornaram cada vez mais emocionantes. Paulatinamente crescia também o número de praticantes (ver outro post sobre as aulas no Copacabana Palace).

O Quadrado da Urca foi a primeira piscina da cidade, ainda usando as águas da Baía de Guanabara. Vemos abaixo uma imagem dessa piscina por ocasião dos Jogos de 1922, com estrutura preparada para as provas de natação, plataforma de saltos e trave para os jogos de pólo aquático (foto publicada na Revista da Semana de 23 de Setembro de 1922, disponível no fotolog “Foi um Rio que Passou”, de André Decourt).

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Essa piscina foi a principal da cidade até o surgimento da piscina do Clube de Regatas Guanabara, também construída aproveitando as águas da Baía…mas esse é assunto para outro post.

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Tive o prazer de ter sido professor de natação por dois anos, uma experiência incrível. Ministrava aulas na piscina do Esporte Clube Maxwell, uma pequena agremiação localizada no bairro de Vila Isabel.

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Fachada atual do E.C. Maxwell. Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Esporte_Clube_Maxwell.JPG

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Ao procurar informações sobre esse clube, descobri que tem sido um dos destaques dos campeonatos de Futebol de Mesa (o nosso velho conhecido “jogo de botão”), em 2010 sagrando-se tetracampeão estadual na categoria “dadinho” (para mais informações, ver http://www.maxwellfutmesa.kit.net/).

Saudades dos velhos jogos de botão!

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Vista aérea do E.C. Maxwell

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No próximo post, o Hotel Internacional e os “esportes ingleses”.

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Pelos ares!

21/05/2011

 

Querida leitora, querido leitor,

Quem saberia me dizer a que se refere e que lugar da cidade está retratado na imagem abaixo (disponível no belíssimo fotolog Saudades do Rio, de Luiz D’)?

 

 

De início, temos que lembrar que a aviação desde os anos iniciais do século XX é considerada um esporte, uma das práticas que encantou o público com o uso de artefatos tecnológicos (como também o ciclismo e o automobilismo), propagando ideais de aventura, atendendo aos desejos de um público ávido por mais velocidade, mais excitação, por peripécias cada vez mais audazes. Mais do que uma modalidade em si, a prática era considerada como um indicador de adoção de um estilo de vida moderno, típico dos sportsman.

Não surpreenderá saber que Alberto Santos Dumont foi um dos pioneiros e o primeiro brasileiro a receber do Comitê Olímpico Internacional um diploma de Mérito Olímpico por sua contribuição ao esporte com a invenção do avião. Dumont, aliás, em sua estada em Paris, no quartel final do século XIX, quando se dedicava a desenvolver “o mais pesado que o ar”, esteve diretamente envolvido como piloto em corridas de automóveis (foi o primeiro brasileiro a trazer um veículo para o país) e de motocicletas.

 

 

Nos dias de hoje, podemos ver essa faceta da aviação como esporte em provas como o Red Bull Air Race, competição mundial que tem uma das suas etapas realizada no Rio de Janeiro. Abaixo uma foto do evento.

 

 

Ao fundo, temos o Pão de Açúcar. Na parte inferior direita, por trás dos 3 cones, vemos as instalações do Iate Clube do Rio de Janeiro, situado onde era a Praia da Saudade.

Esse clube, com o nome de Fluminense Yacht Club, foi fundado em março de 1920, em cerimônia realizada no Fluminense Football Club. Entre as modalidades praticadas, no decorrer do tempo adotou-se a aviação, para a qual se instalou, aproveitando-se os sucessivos aterros realizados na região, um pequeno aeródromo para aviões menores, como o hidroavião da primeira foto.

Vejamos outra imagem do local (disponível em http://fotolog.terra.com.br/luizd:1092).

 

 

Em 1945, a aviação foi proibida na região, para não interferir no funcionamento do Aeroporto Santos Dumont. Com isso, o aeródromo foi fechado, mas o clube está lá aboletado até os dias de hoje, uma das mais descaradas apropriações de um patrimônio público: uma linda praia virou uma agremiação e um estacionamento de barcos para os mais ricos.

Vejamos abaixo uma foto da Praia da Saudade no início do século XX, ainda sem o nefasto clube, tendo ao fundo o Hospital dos Alienados, construído por D. Pedro II no século XIX, hoje sede da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Trata-se de um postal de A. Ribeiro, da coleção de Klerman Wanderley Lopes (disponível em: http://fotolog.terra.com.br/luizd:210).

 

 

Voltaremos ao tema em outros posts.

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Como é de conhecimento geral, nossos principais aeroportos estão em péssimas condições. A solução para tal problema é uma das promessas (e necessidades) que cercam a realização dos Jogos Olímpicos e a Copa do Mundo no Rio de Janeiro. Ao que tudo indica, trata-se de mais um dos muitos compromissos que não serão cumpridos. As coisas vão mal e tudo indica que não vão melhorar…

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Esse citado prédio da UFRJ é aquele que recentemente pegou fogo. O patrimônio histórico da universidade encontra-se em péssimas condições. Enquanto isso, a reitoria tem planos faraônicos de levar todas as unidades para o campus do Fundão. Por ora, promessas, promessas, promessas…


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