Peteca é coisa de carioca?

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Na semana passada, meu querido amigo André Schetino publicou, no blog História(s) do Sport, um belíssimo post sobre a peteca em Belo Horizonte, dialogando com a dissertação de mestrado do também amigo Renato Machado dos Santos, que tive o prazer de orientar no Programa de Pós-Graduação em Lazer da UFMG.

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No Parque das Mangabeiras, em Belo Horizonte, há 10 quadras públicas de peteca. Foto e informação disponíveis no sítio da Federação Mineira de Peteca: http://www.fempe.com.br/files/quadras.htm.

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Indubitavelmente, Minas Gerais é a terra dos petequeiros. Na capital, Belo Horizonte, por exemplo, é comum encontrarmos quadras e apaixonados pela modalidade que é tanto um esporte quanto uma brincadeira infantil, uma prática que, segundo alguns estudiosos, já existia em muitas tribos indígenas do Brasil (ou pelo menos havia jogos muito parecidos).

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Tobdaé, a peteca dos Xavantes. Foto de Renata Meirelles. Disponível em http://img.socioambiental.org/v/publico/pibmirim/como-vivem/brincadeiras/IMG_0908.JPG.html

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Se Minas Gerais, notadamente Belo Horizonte, é a “meca” da peteca, ela também é praticada em muitos outros locais do país. Existem, por exemplo, federações em 8 estados. Sem falar nos milhares de praticantes informais espalhados por muitas cidades.

Nas praias do Rio de Janeiro também se pratica a peteca, como podemos ver na incrível foto de Sérgio Fonseca (disponível em http://www.papeldepao.com.br/arquivo.asp?mes=12&ano=2003).

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Na verdade, não é de hoje que alguns cariocas apreciam o jogo, que no passado se tornou mais uma das diversões daqueles que apreciavam as praias. Sabemos, inclusive, que uma das “estreias” mundiais da peteca, nos Jogos Olímpicos de Antuérpia (1920), se deu graças a nadadores cariocas que integravam a delegação brasileira, que praticavam o jogo nos seus horários livres.

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Angelo Gammaro, um dos nadadores da equipe olímpica brasileira em 1920.

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Os memorialistas da modalidade, aliás, informam que um dos precursores da modalidade em Belo Horizonte, Enéas Nóbrega de Assis Fonseca, teria conhecido a peteca no Rio de Janeiro, alguns informando, inclusive, que tal contato teria se dado no Clube de Regatas São Cristóvão.

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Foto de sócios e atletas do Clube de Regatas São Cristovão. Fonte: Careta, ano 1, número 27, 5 de dezembro de 1908.

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Na foto abaixo, vemos a prática da peteca no trecho final da Praia de Copacabana, na década de 1930. Destaca-se uma Avenida Atlântica ainda não duplicada e com muitas casas, imperando o ecletismo de estilos. Os trajes são mesclados: uma das mulheres já usa um maiô curto para os padrões da época, enquanto outras usam vestido. Os homens estão de camisa, provavelmente por não se tratar de um dia com muito sol.

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Já as imagens abaixo, disponíveis nos fotologs Rio de Fotos e Saudades do Rio, mostram que, na década de 1940, a peteca continuava sendo praticada. Vemos que a Praia de Copacabana já possuía um maior número de prédios.

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Foto de acervo do Silva, disponível em http://fotolog.terra.com.br/nder:1009

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Foto do acervo do Sr. Souza, disponível em http://fotolog.terra.com.br/sdorio:1357

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A bela fotografia de Jean Mazon nos mostra que a juventude dourada nos anos 1950 seguia praticando a peteca. Os costumes mudavam, a praia cada vez mais se tornava espaço de encontros e flerte, na orla de Copacabana as casas davam espaço aos prédios, para atender o grande número de interessados em viver perto do “paraíso”.

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Entre os amantes do jogo no Rio de Janeiro, como podemos ver na foto abaixo, se encontrava Joaquim Rolla, proprietário do Casino da Urca, que integrava várias equipes de peteca.

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Foto de Indalecio Wanderley. Disponível no fotolog Arqueologia do Rio de Janeiro: http://fotolog.terra.com.br/bfg1:498

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Mesmo que a peteca já não seja tão praticada no Rio de Janeiro como antes, como vimos na primeira imagem ela ainda se faz presente no cotidiano do carioca, não nos deixando esquecer sua trajetória em nossa cidade.

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Algumas diversões do passado já não mais existem nas praias do Rio de Janeiro. Por exemplo, em nossas areias houve época em que o tamborete era muito praticado.

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Material para a prática do tamborete. Disponível em http://fotolog.terra.com.br/luizd:1504

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Já o frescobol tem vida mais longa, até hoje marcando presença em nosso litoral.

Ambos merecerão posts no futuro.

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No próximo post – O Hotel Central e os banhos de mar

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