O green: o golfe no Rio de Janeiro

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Vejamos a foto abaixo. Quem diria que ela tem relação com uma modalidade esportiva?

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Trata-se de uma fazenda que existia onde hoje está instalada a mais antiga agremiação de golfe do Rio de Janeiro: o Gávea Golf and Country Club.

A exemplo de congêneres europeus, o clube foi instalado em uma, na época, região pouco habitada e afastada do centro urbano, a qual se chegava com dificuldades pela ausência de bom sistema de transporte: Gávea/São Conrado.

Nas imagens abaixo, disponíveis no fotolog “Saudades do Rio”, vemos a localidade na década de 1910.

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Em 1926, um grupo de altos funcionários, de origem inglesa, da Tramway, Light & Power, instalou, em terras adquiridas da empresa que trabalhavam, a sede do Rio de Janeiro Golf Club, que fora fundado em 1921. Na imagem abaixo, da década de 1940, podemos ver a beleza da sede do Gávea Club (novo nome do clube).

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Nas fotos abaixo podemos ver a diferença das redondezas do clube: a em preto e branco é da década de 1930 (e está disponível em http://fotolog.terra.com.br/sdorio:943), a colorida é um panorama aéreo atual.

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O clube, com uma sede cada vez mais confortável, começou a atrair a elite econômica e política da, na época, capital do país, passando a ser local obrigatório de visitas dos estrangeiros ilustres que a cidade visitavam. Na verdade, governantes eram presenças constantes, convidados pela direção, uma forma de demonstrar proximidade com o poder, mas também de obter certos benefícios para a agremiação.

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Sócios do clube em reunião no ano de 1928. Acervo de Myriam Gewerc. Disponível em http://www.rioquepassou.com.br/2008/08/15/gavea-golf-country-club-1928/

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O perfil dos associados pode ser percebido pela elegância das vestimentas, como podemos ver na imagem acima e na foto abaixo:

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Com esse perfil, não surpreende que determinadas propagandas tenham feito relação dos produtos anunciados com o golfe, como vemos no caso dos cigarros Hollywood, em reclame publicado em 1950, na revista A Sombra (disponível em http://fotolog.terra.com.br/reclames_antigos:375).

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O Gávea Golf não é o único clube da modalidade da cidade. Desde 1933, existe também o Itanhangá Golf Club, que ainda mais do que a agremiação de São Conrado nasceu com a ideia de ser um country club, no modelo dos europeus.

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Foto da inauguração do Itanhangá Golf Club. Disponível em http://fotolog.terra.com.br/luizd:1212

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Oferecia-se ao sócio a possibilidade de construir chalés, que poderiam ser usados para hospedagens nos fins de semana ou férias. Devemos lembrar que esse clube se localizava ainda mais distante do centro urbano, nas longínquas terras da Barra da Tijuca.

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Imagem do Google Maps. As indicações (a) e (c) são o Itanhangá; a (b) é o Gávea.

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Como no caso do Gávea, o Itanhangá logo virou um centro de encontro da elite carioca, inclusive de políticos e dirigentes.

Abaixo vemos uma cena de Getúlio Vargas, no Itanhangá, praticando seu esporte favorito. Algumas versões dizem que o presidente passou a frequentar preferencialmente essa agremiação por causa da facilidade do trajeto.

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Os clubes de golfe, enfim, eram uma expressão dos desejos de status e distinção de uma elite urbana que se consolidava na cidade, na mesma medida em que ajudavam a construir a ideia de cidade maravilhosa, sendo também apresentados como atrações turísticas que demonstravam as belezas da capital da República.

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Os clubes apresentados como atração em guia turístico que indicava circuitos de passeios pelo Rio de Janeiro. Disponível em http://fotolog.terra.com.br/sdorio:331

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Uma foto de Getúlio Vargas jogando golfe é a capa da recém lançada edição de Recorde: Revista de História do Esporte. Vale a pena acessar!

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Próximo post – “Nas escolas: a Educação Física”.

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