Antes das “rodonas”…as “rodinhas”!

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A utilização de artefatos tecnológicos em práticas de lazer e de performance foi um dos mais interessantes desdobramentos do fenômeno esportivo (ver post sobre aviação). Duas modalidades devem ser destacadas: o ciclismo e o automobilismo.

Os dois esportes se desenvolveram no cenário carioca em distintos momentos, ambos celebrando e exaltando a cidade moderna. Vejamos, por exemplo, uma cena de uma das mais belas provas do automobilismo mundial: o Circuito da Gávea, cujas edições foram realizadas entre os anos de 1933 e 1954.

Juan Manoel Fangio, Jose Froilan González e Chico Landi, subida da Avenida Niemeyer, Leblon, 1951. Acervo do jornal Última Hora. Disponível em: http://fotolog.terra.com.br/luizd:211

Esse tema certamente será motivo de muitos outros futuros posts. Hoje falaremos de uma diversão que bem antes das provas automobilísticas encantava pessoas de todas as idades. Embora não competitiva, era considerada como um sport e encarada como uma demonstração de adoção de hábitos modernos: a patinação.

Segundo alguns registros, a prática foi introduzida na cidade em 1870, com a instalação de um ringue na Rua do Costa (atual Alexandre Mackenzie), pequena via próxima à Rua Larga (atual Avenida Marechal Floriano Peixoto). Álvaro Borgerth, Alfredo Reis e Duarte Fiuza eram os donos do estabelecimento.

Obras de unificação das antigas Rua Estreita de S. Joaquim e Rua Larga de São Joaquim, dando origem à Av. Marechal Floriano. Disponível em: http://www.rioquepassou.com.br/2010/07/21/antiga-rua-estreita-de-s-joaquim/

Com a abertura de novos ringues, entre eles o “Skating Rink”, onde se podia alugar patins e contar com o apoio de instrutores, paulatinamente a patinação foi se tornando uma “febre” na cidade. Em 1878, é lançado um periódico dirigido aos aficionados, sempre com a preocupação de apresentar a diversão como um exemplo de modernidade, estabelecendo ligação com hábitos europeus: o Skating-Rink: Jornal Humorístico e Litterario dos Patinadores (mais informações podem ser obtidas em http://www.assis.unesp.br/cedap/cat_periodicos/popup/skating_rink.html).

Curioso perceber como, nesse mesmo ano de1878, a patinação ocupou espaço frequente nas “Notas Semanais” que Machado de Assis publicava em O Cruzeiro. O literato abordou a prática sempre com um tom irônico, manifestando uma certa desconfiança. Em 7 de julho, por exemplo, afirma: “Dize-me se patinas, dir-te-ei quem és. Tal será dentro de pouco tempo o mote da suprema elegância”. Em 4 de agosto, é mais crítico:

 “A vida fluminense compõe-se agora de óperas, corridas, patinação e pleito eleitoral; é um perpétuo bailado dos espíritos. (…). A patinação, que eu disse acima ser parte componente da nossa vida atual, começa a adicionar alguns hors-d’oeuvre, como a ondina, moça que respira debaixo d’água. Não gosto de ver esta ondina enrodilhada com a patinação; cheira-me aos saraus dançantes do Clube Politécnico, — duas coisas bem pouco conciliáveis”.

 Os ringues de patinação foram se tornando verdadeiros complexos de entretenimento: grande número de atividades eram oferecidas. Curiosos eram os festivais de patinação fantasiada, bailes de máscaras sobre patins e patinação dançante com orquestras.

Nas décadas iniciais do século XX, um dos locais mais fashions de patinação era o Bar da Brahma, de propriedade da Companhia de Ferro Carril do Jardim Botânico, instalado ao lado da Estação de Bondes localizada na Praia do Leme. Podemos ver o estabelecimento na imagem abaixo, da década de 1910 (no canto inferior direito).

Foto disponível no sítio de André Decourt, “Foi um Rio que Passou”: http://www.rioquepassou.com.br/2006/08/10/leme-anos-10/

Como informa Luiz D’, o Bar da Brahma disponibilizava, além do ringue de patinação, um terraço na praia (acima podemos ver as mesinhas e cadeiras na areia), um stand de tiro, aparelhos para exercícios ginásticos, além de oferecer espetáculos musicais. A foto abaixo, de autoria de Augusto Malta, disponível em “Foi um Rio que Passou” (http://www.rioquepassou.com.br/2010/11/10/leme-bar-da-brahma-e-av-atlantica-1915/comment-page-1/), permite-nos ver mais de perto o estabelecimento (a Estação bem à direita, o bar na sequência, com telhado de zinco).

Nos dias de hoje, a patinação segue sendo praticada por muitas pessoas, tanto como esporte de competição quanto como opção de diversão. Já a Praia do Leme está realmente bem diferente:

 

 

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 Quando eu era moleque, as crianças gostavam muito de patinar. Que eu me lembre, havia 3 tipos de patins. Os mais ricos já podiam comprar patins com botas ou tênis instalados. A maioria, contudo, como era meu caso, só podia comprar um que se adaptava ao pé. Os mais pobres usavam um de plástico, que sempre dava problemas. Aliás, as rodas não tinham o desempenho de hoje em função do material de confecção. Juntando-se a isso as calçadas e ruas mal pavimentadas…tombos espetaculares!

Eu não cheguei a ter patins, preferi ganhar um skate, da marca Bandeirantes, igualzinho a esse abaixo (só que o meu era vermelho).

Moral da história: nunca aprendi a patinar. Para ser sincero, nem a andar de skate!

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Meu amigo e irmão Coriolano escreveu para o História(s) do Sport um belíssimo post sobre a patinação em Salvador. Confira aqui.

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No próximo post: o quadrado da Urca.

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